Você está cuidando de filhotinhos órfãos?

sábado, 7 de novembro de 2009

Contate seu veterinário de confiança.

Providencie uma caixa de papelão, bacia, gaveta (de uma cômoda, armário ou criado-mudo), etc.

Forre a caixa de papelão com travesseiro, lençol ou pano para deixar bem confortável o local.



Aqueça 1 litro de água até que a temperatura esteja morna para quente (ao colocar toda a mão na água tem que estar quente mas suportável). Despeje essa quantidade em uma garrafa pet previamente limpa. Seque bem por fora. Coloque a garrafa dentro da caixa de papelão, cobrindo-a com um pano. Os filhotes não devem ficar em contato direto com o plástico da garrafa, deve ter sempre um pano grosso entre os dois. Mesmo que o dia esteja quente, a garrafa de água quente deve permanecer dentro da caixa dos filhotes, pois eles são incapazes de controlar a temperatura corpórea até a 6ª semana de idade.

Providencie um relógio pequeno de ponteiro e coloque sob os panos dentro da caixa. O “tic-tac” irá simular o coração da mãe, fazendo os filhotinhos ficarem mais tranquilos, parando de chorar.

Ao nascerem até os 15 dias de idade, os neonatos são incapazes de defecarem ou urinarem sozinhos, para isso a mãe os estimula lambendo a região perianal e genital. Já no caso de órfãos, você precisará estimulá-los. Poderá ser com um pano bem macio ou um algodão umidecido com um pouco de água morna. Esse procedimento deve ser feito sempre, a cada 1 ou 2 horas. Tome o cuidado de deixar o ambiente dentro da caixa sempre limpo de urina e fezes.



Alimentação é fundamental. Mas o que dar? Leite de vaca integral? Desnatado? Com água? De preferência, nenhuma das opções. Tanto o leite da cadela quanto da gata possuem níveis de gordura e de lactose diferentes dos da vaca. Além disso, o leite de vaca não é capaz de fornecer ao filhote os níveis mínimos de nutrientes necessários para o desenvolvimento adequado do neonato. Para isso existem inúmeros produtos no mercado que são substitutos de leite materno de cão e gato. Como são balanceados e não precisam ser suplementados com mais nada, você pode ficar tranquilo(a) ao usá-los desde o nascimento até os 28 dias de idade, só os substituindo a partir de então por papinhas de desmame industrializadas ou ração de filhote umidecidas.

Exemplos de produtos que são encontrados no mercado pet: PetMilk, MaxMilk, Equilíbrio – Substituto de Leite, Supreme – Substituto de Leite

Caso onde você more esses produtos não estejam disponíveis para compra, pode ser utilizada uma receita caseira (Clique Aqui) dada a cada 3 horas, porém o veterinário responsável deve acompanhar o desenvolvimento dos filhotes regularmente.

Como dar o substituto do leite? Existem mamadeiras próprias para uso pet (exemplo: PetNurser – foto abaixo), mas podem ser usadas as “chuquinhas” humanas, porém nessas o furinho feito no bico deve ser bem pequeno. Cuidado deve ser tomado para que o filhote não engasgue ao mamar. Caso ocorra, ele deve ser apoiado, com cuidado, por inteiro na palma da mão, inclinado de cabeça para baixo e receber “palmadinhas” suaves nas costas.



Controle de ectoparasitas! Não deixe os filhotinhos com pulgas. O Frontline® Spray é seguro para o uso em filhotes a partir de dois dias de idade. A pulga além de se alimentar do sangue, debilitanto os filhotes, também é meio de transmissão de verminose (Dipylidium caninum).

10º Controle de endoparasitas! A partir da 2ª semana de idade, os filhotes já devem ser desverminados. Repetindo o vermífugo qinzenalmente até o terceiro mês de vida.

Atenção! Se algum filhote ficar isolado dos demais antes da 6ª semana de idade, é necessário procurar ajuda veterinária. Nesse caso, o filhotinho em questão pode estar sofrendo de hipotermia, hipoglicemia e/ou desidratação e precisa de cuidados médicos urgentes.

Nunca medique seus animais sem orientação médica veterinária!

Ao final da segunda semana de idade, os filhotinhos já estarão espertos, com os olhos abertos, explorando o ambiente e necessitando de supervisão ainda maior para que nenhum acidente ocorra.

Fonte: Dra. Camila Sanches

Quer nos adotar?

domingo, 25 de outubro de 2009

Calcula-se que existam cerca de 2,1 milhões de cães e 450 000 gatos domésticos na cidade. As estimativas de quantos vivem soltos nas ruas, no entanto, são desencontradas – variam de 20 000 a 1,5 milhão. Abandonados, eles ficam sem comer, são atropelados e sofrem maus-tratos. Por contraírem doenças com facilidade, representam um risco à saúde pública. Com a ajuda de especialistas, selecionamos doze organizações que recolhem animais da rua, cuidam de sua saúde e os colocam para adoção, sempre depois de castrá-los, tratá-los contra vermes e vaciná-los. O difícil é resistir ao olhar pidão desses bichinhos


Por Giovana Romani


VIRA-LATA É DEZ


Nos 100 000 metros quadrados deste abrigo, a 72 quilômetros da capital, vivem 300 cachorros e gatos (visitas podem ser marcadas através do portal da ONG). Outros 430 bichos ficam em sítios ou lares temporários. Fundadora da associação Vira-Lata é Dez, a corretora imobiliária Ana Tancredi gasta 42 000 reais por mês em ração, castrações e salário de funcionários. "Metade desse valor vem da ajuda de associados", diz ela. O restante sai do bolso dos cinco voluntários da ONG. Para arrecadar fundos, há festas beneficentes com petiscos vegetarianos. Os três berçários contam atualmente com 28 filhotes de cachorro, que crescem gordinhos à base de leite com amido de milho. "São os que têm mais chance de adoção", conta Ana. "Quanto mais velho, mais difícil."

www.viralataedez.com.br. Taxa de adoção: 30 reais.

ADOTE UM GATINHO


Apaixonadas por gatos desde a infância, as amigas Juliana Bussab e Susan Yamamoto criaram em 2003 a ONG Adote um Gatinho. Em pouco tempo, ela virou referência. Tudo por causa do cuidado com os mínimos detalhes, da captura do animal à avaliação do adotante. Juliana, jornalista, e Susan, que trabalha na área de marketing de uma rádio, em nada lembram o estereótipo das senhoras colecionadoras e protetoras de felinos, conhecidas como gateiras. "Sabemos os nossos limites", diz Juliana, dona de onze bichanos. Atualmente, 110 gatos vivem em um abrigo na Barra Funda e em lares temporários enquanto aguardam um dono. Mas não é fácil passar pelo crivo das duas. "De cada dez formulários de interessados, descartamos seis", afirma Susan. O processo de adoção - feito exclusivamente pela internet - pode levar até três semanas e as moças fazem questão de entregar o gato pessoalmente para conferir seu novo endereço.

www.adoteumgatinho.org.br. Não cobra taxa de adoção.

QUINTAL DE SÃO FRANCISCO


Fundada em 1957, a ONG Quintal de São Francisco, uma das mais conhecidas associações de proteção animal de São Paulo, anunciou o fechamento de seu abrigo. Até março de 2010, sua presidente, Angela Caruso, fará uma campanha em busca de novas casas para os cães e gatos acolhidos em Parelheiros. "Num universo de 11 milhões de paulistanos, preciso de apenas 250 pessoas dispostas a adotar um animal", afirma. A ONG passa por dificuldades financeiras e custa a arrecadar os 20 000 mensais de que precisa para se manter. "Não posso chegar ao ponto de deixar os bichos sem comida ou medicamentos", diz Angela.

Avenida Lins de Vasconcelos, 1667, Aclimação, 2062-8263. www.quintaldesaofrancisco.org.br. Não cobra taxa de adoção.

PROJETO CEL


É em uma casa muito simples no Jardim Maringá, na Zona Leste, que funciona a sede do Projeto Cel - Casa Esperança e Liberdade para Animais Carentes. Cerca de 100 bichos ficam em cercados diminutos espalhados por todos os cômodos. Há até um centro cirúrgico improvisado, onde são realizadas cirurgias emergenciais e de esterilização. Um dos maiores orgulhos de Eliete Brognoli, que fundou a ONG em 2003, é ter como madrinha a apresentadora de TV Luisa Mell. "É um trabalho sério feito por gente que dá a vida por isso", diz Luisa. Há dez anos, ela adotou Dino, uma cadela vira-lata. Foi seu primeiro contato com o mundo animal. Depois, resgatou bichinhos em situações terríveis e chorou rios de lágrimas no extinto programa Late Show, da Rede TV!. O Projeto Cel realiza feiras semanais no Pet Center Marginal e doa entre cinquenta e setenta animais por mês.

Sábados e domingos, das 14h às 21h. Avenida Presidente Castelo Branco, 1795, Pari, 2852-8403. www.projetocel.org.br. Taxa de adoção: 50 reais.

LOUCOS POR BICHOS


Lucky veio ao mundo em 14 de janeiro. Sua mãe havia sido espancada e foi encontrada dentro de uma caçamba de entulho prestes a dar à luz quatro gatinhos. Resgatada pela aposentada Francisca Carvalho, presidente da ONG Loucos por Bichos, Lucky foi a única sobrevivente. Nasceu com as duas patas dianteiras quebradas. "Será operada assim que ganhar mais peso", explica Francisca. Mas ela já tem uma família e vai morar na Suécia quando se recuperar. A Loucos por Bichos coordena a feira de adoção da pet shop Cobasi Radial Leste. Por se tratar de um espaço reduzido, ali só são aceitos bichos de pequeno porte. Aos 11 anos, Raquel Bertasi é a voluntária mais jovem do projeto. Foi ela quem batizou Lucky (sortuda, em inglês). "Amo cuidar dos bichinhos", diz. "Só não venho quando tenho prova na segunda-feira." Desde outubro do ano passado, 243 doações foram realizadas na feira.

Sábados e domingos, das 11h às 18h. Avenida Alcântara Machado, 4360, Belém. Informações, 9653-3193. www.loucos porbichos.net. Taxa de adoção: 60 reais.

CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES


Há pouco mais de um ano entrou em vigor a lei estadual que proíbe o sacrifício de cães e gatos sadios em canis públicos. Desde então, para evitar sua superlotação, o Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo (CCZ) diminuiu em 50% o recolhimento de cachorros abandonados nas ruas da cidade. Com o objetivo de incentivar a adoção, educar os donos para a posse responsável e elevar a qualidade de vida dos cerca de 400 cães e gatos que vivem no abrigo público, o CCZ criou há um mês o Programa de Proteção e Bem-Estar de Cães e Gatos de São Paulo. "Estamos nos adaptando a essa realidade", afirma a veterinária Rita de Cássia Garcia, coordenadora do programa. Todos os animais saem de lá com um microchip de identificação.

Rua Santa Eulália, 86, Santana, 3397-8900. www.prefeitura.sp.gov.br/zoonoses. Taxa de adoção: 14,60 reais.

UNIÃO INTERNACIONAL PROTETORA DOS ANIMAIS


Os dados da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) são preocupantes: entre 2006 e 2008, o número de adoções realizadas por ano caiu de 1 200 para 600. Vanice Teixeira Orlandi, presidente da associação, atribui a queda à crise financeira e ao crescimento dos pontos de adoção. "Outro fator é a seleção rigorosa que fazemos para entregar um bicho", diz. "Chegamos a desencorajar o candidato para saber suas reais intenções." Fundada em 1895, a associação abriga 1 500 cães e gatos, distribuídos por 35 canis e um gatil numa área de 9 000 metros quadrados. Diariamente, os bombeiros e a polícia levam animais atropelados ou vítimas de maus-tratos para lá. "Investimos na recuperação do bicho, não importa o estado em que chegue aqui", afirma Vanice. Porém, os gastos da entidade giram em torno de 80 000 reais por mês. O dinheiro vem da contribuição de 2 000 associados, de doações e das consultas realizadas na clínica veterinária que funciona no local.

Avenida Presidente Castelo Branco, 3200, Canindé, 3228-1462. De segunda a sábado, das 9h às 17h. www.uipasp.org.br. Taxa de adoção: 50 reais.

BICHO NO PARQUE


Mais que a adoção, o foco do projeto Bicho no Parque é a defesa do "gato feral". Nunca ouviu essa expressão? Trata-se do gato não socializado, arredio ao contato humano e que vive em espaços públicos. "Seria antinatural tirá-lo de seu ambiente", explica a arquiteta Andrea Podolski, idealizadora e coordenadora do projeto. Os bichanos moradores de parques da cidade são castrados, microchipados e, posteriormente, monitorados por voluntários. Aqueles dóceis e aptos à vida doméstica são encaminhados para adoção. Atualmente, há quarenta felinos disponíveis. "Os adultos, os pretos e os rajados sofrem muito preconceito", diz a coordenadora. Conscientizar os donos quanto aos cuidados necessários com o bichinho de estimação também está entre as prioridades da equipe. "Em alguns anos, uma gata não castrada pode gerar milhares de descendentes", calcula Andrea.

www.bichonoparque.com.br. Taxa de adoção: 3 quilos de ração premium.

SOLIDARIEDADE À VIDA ANIMAL


Há seis anos, a empresária Arlete Martinez criou o projeto Solidariedade à Vida Animal (Sava), que reúne protetores independentes. Além de resgatar cães e gatos sadios, a ONG dá grande atenção aos portadores de deficiência física. "Muitos foram atropelados ou sofreram maus-tratos", conta Arlete. "Por isso, ficaram com sequelas graves." O gatinho da foto ao lado, por exemplo, foi encontrado na rua, com paralisia nas duas patas traseiras. Na primeira feira só de bichos deficientes, realizada no mês passado, quatro deles ganharam uma no--va família.

Feira de Adoção de Animais Especiais. Dia 27 (sábado), das 12h às 16h. Avenida Presidente Tancredo Neves, 580, Ipiranga. Informações, 9987-4188. www.sava.org.br. Taxa de adoção: 2 quilos de ração.

ADOTE UM AMIGUINHO


A veterinária Maria Estrela Felício, portuguesa radicada em São Paulo, é dona de uma pet shop no Real Parque. Seu plantel, predominantemente de cães de raça, convive numa boa com os vinte vira-latas, entre adultos e filhotes, que ficam nos quatro canis construídos nos fundos da loja. Também há um gatil, com quase cinquenta gatos. Na loja, nada de venda de filhotes. "Respeito quem compra, mas as pessoas deveriam pensar mais na adoção", diz a veterinária. Todos os dias, os cães sem dono são levados para passear. Como a propaganda é mesmo a alma do negócio, alguns deles saem vestidos com roupinhas em que se lê o bordado "Me adote". A veterinária calcula ter efetuado 1 700 doações nos últimos cinco anos. Moradora do bairro, a assessora de marketing Marot Gandolfi adotou a vira-lata Lollypop Tereza (o segundo nome é uma homenagem à mãe da dona) bem no início do projeto. "Cachorro não precisa ter grife", acredita.

Rua Luís Gonzaga de Azevedo Neto, 173, Real Parque, 3755-1037. www.adoteumamiguinho.org. Taxa de adoção: 30 reais.

ANJOS DOS BICHOS


Montada no estacionamento de um supermercado da Alameda Madeira, em Alphaville, a feira de adoção dos Anjos dos Bichos atrai curiosos durante todo o sábado. No dia 9 de maio, o comerciante Edimilson dos Santos passou ali por acaso. Acabou encontrando Lost (perdido, em inglês), vira-lata de grande porte e bom cão de guarda. Responsável por cuidar do bicho até então, a psicóloga Tera Leopoldi tentava segurar as lágrimas. "Espero que ele vá para um bom lugar", disse. Pelo menos sete doações como essa ocorrem durante o evento. A organizadora Renata Buono conta com a participação de quinze anjos, como são chamados os voluntários, a exemplo de Tera.

Sábados, das 10h às 17h. Alameda Madeira, 363, Alphaville, 9198-4598. www.anjosdos bichos.com. Taxa de adoção: 20 reais.

UNIÃO SRD


No mês passado, a tradutora paulistana Roberta Bronzatto recebeu um daqueles e-mails de partir o coração dos amigos de animais. Dois filhotes vira-latas haviam sido largados na Ceagesp e precisavam de um lar temporário. "Ofereci minha casa na hora", lembra Roberta. É a primeira vez que ela hospeda cãezinhos nesse esquema. O e-mail de apelo fora disparado pelas voluntárias da União SRD, grupo coordenado pela administradora Ruth Madeu e mantido com doações. Como não tem abrigo, Ruth bolou um certo Programa Bolsa Cão de residências provisórias. "A pessoa acolhe um cachorro nosso por um tempo e cobrimos todas as despesas até a adoção", explica. O anfitrião recebe ainda uma ajuda de custo de 70 reais mensais. Roberta abriu mão do dinheiro, mas teme não conseguir se desfazer dos peludinhos. A União tem 55 cães e sete gatos sem raça definida (SRD, na linguagem veterinária) à espera de uma casa não provisória.

www.uniaosrd.com.br. Taxa de adoção: 3 quilos de ração.

Pense bem

Alguns itens para avaliar antes de adotar um bicho de estimação

Todas as pessoas que moram na casa devem estar de acordo.

Crianças pequenas podem não se adaptar aos animais.

Cachorros necessitam de espaço.

Você tem tempo? O ideal é levar o cão para passear pelo menos uma vez ao dia e, não custa lembrar, sempre recolher a sujeira dele da rua.

Para receber um gato, o apartamento precisa de algumas adaptações. Telas de proteção nas janelas e varandas são fundamentais. Quem mora em casa deve tomar cuidado redobrado para não deixar o bicho pular o muro. E prepare-se: ele pode estragar seus estofados.

Nenhum animal nasce educado. É preciso ter paciência e estabelecer limites.

Já é dono de outros bichos de estimação? Então analise se eles conseguirão se adaptar ao novo companheiro.

Animais dão despesa. Um cachorro de porte médio consome um pacote de 3 quilos de ração (cerca de 22 reais) a cada duas semanas. Vacina (45 reais) e vermífugo (15 reais) devem ser administrados uma vez por ano.

Com qual frequência costuma viajar? Considere que será preciso deixá-lo em algum lugar durante sua ausência.

Nunca dê um bichinho de presente sem consultar quem vai recebê-lo.

Um animal é para a vida inteira e sua responsabilidade por ele também. Adotá-lo por impulso pode resultar num futuro abandono.

Fontes: Cynthia Schoenardie e Rita de Cássia Garcia, veterinárias

Especialistas consultados: Alexandre Rossi, zootecnista e adestrador; Edison Vieira, adestrador; Hannelore Fuchs, psicóloga e veterinária; Marco Ciampi, presidente da ONG Arca Brasil; Mauro Lantzman, veterinário; Nina Rosa Jacob, presidente do Instituto Nina Rosa; e Wilson Grassi, veterinário e membro da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa - SP)

Fonte: Veja São Paulo

Rações & Gatos

sexta-feira, 23 de outubro de 2009



A ideia tradicional de que o gato de alimenta de peixe e leite, não é mais que um "erro" que convém desmistificar. Todos os felinos são carnívoros e o gato doméstico não é excepção: Como tal, adora carne, tendo requisitos especiais em termos de proteína, vitaminas e gordura. No entanto, essas necessidades vão variando ao longo da vida do animal: um jovem não requer necessariamente os mesmos nutrientes de um adulto, pois nos primeiros meses de vida o seu crescimento é de tal forma acelerado que exige uma maior proporção de vitaminas ,minerais e proteínas.

Durante a primeira etapa da vida (até aos 8 - 10 meses), a completa formação de dentes e esqueleto exige valores de cálcio da ordem dos 1.3% do total da composição do alimento. Em adulto, este mineral é também imprescindível, mas em menor quantidade - cerca de 10%. Só durante os primeiros 3 meses de vida o gatinho deve beber leite: de início o materno e posteriormente (sexta semana), apenas leite próprio para gatos.

A alimentação do gato adulto deve limitar-se à ração leofilizada, vulgarmente designada por "ração seca", "bolinhas" ou "croquetes". Este tipo de alimento, para além de extremamente higiénico e prático (adquire-se em embalagens de poucos gramas a cerca de 15 quilogramas, pronta a fornecer ao animal). Apenas exige a presença de uma tigela com água limpa e fresca.

O recurso a alimentos confeccionados em casa, que tanto prazer dão ao animal, não é a melhor opção. Apesar de adquirirem peixe de qualidade, adicionarem legumes e arroz ou massa, os proprietários não conseguem elaborar uma refeição de acordo com as necessidades do seu gato. Uma dieta dita equilibrada, exige o fornecimento de cerca de 35% de proteína (ovos, frango, cordeiro ou peixe), gordura (por exemplo a de frango que aporta excelentes quantidades de ácidos gordos essenciais à boa qualidade do pêlo. Deve compor aproximadamente 25% numa ração de crescimento mas apenas 7% numa destinada a dieta para emagrecimento), assim como hidratos de carbono, sob a forma de trigo, milho ou arroz.

Os alimentos enlatados, regra geral mais palatáveis, têm um elevado conteúdo em água - chega a atingir 80% - sendo portanto mais degradáveis; Para além desse contra, a adição de corantes e conservantes faz com que animais cujas refeições são quase na totalidade compostas por esse tipo de alimentos, apresentem por vezes distúrbios digestivos, como o timpanismo (acumulação de gases) ou diarreia.

As rações disponíveis no mercado tentam assegurar os valores mínimos admitidos para os diferentes nutrientes. Há, no entanto dois nutrientes que devem ser bem avaliados aquando da escolha da ração a fornecer ao nosso bichano:

- o teor em taurina, ácido aminado essencial aos gatos, pois não o conseguem sintetizar, devendo ser fornecido em durante toda a vida do animal mas principalmente durante o crescimento e velhice (cerca de 2000 mg/kg de alimento) - é muito importante ao bom funcionamento do coração!;

- a concentração em magnésio, mineral imprescindível ao bom funcionamento muscular, mas que em excesso facilita a urolitíase ou seja, a formação de cristais no aparelho urinário. Como a uretra dos gatos, nomeadamente nos machos, é extremamente fina e sinuosa, a existência de cálculos no tracto urinário pode implicar uma obstrução que se não tratada a tempo pode ser letal - verifica-se acumulação de ureia no organismo, a qual vai actuar como um veneno, podendo matar o animal por intoxicação. A ingestão deste mineral deve ser controlada a um máximo de 50 mg diários, o que regra geral é possível com uma boa ração.

Os gatos a partir dos 6 - 7 anos, devem ingerir um alimento mais pobre em calorias, o que é conseguido pela substituição dos teores de gordura por açúcares, ou pelo aumento do fornecimento de fibras. Nestes animais e principalmente se se tratam de machos castrados, há que dar especial atenção à concentração de magnésio e fósforo ingeridas, pois são muito propensos a problemas renais. Como melhor solução, deve-se optar por uma dieta específica cujo valor nestes minerais é reduzido apenas ao que é mesmo necessário ao bom funcionamento do organismo do animal.

Se tivermos em conta todos estes conselhos, o nosso gatinho agradecer-nos-à as deliciosas refeições que lhe fornecemos, mantendo-se saudável e connosco partilhando muitos episódios ao longo da vida.

Fonte: Animais de Estimação

Gatos emitem ronronado específico para pedir comida

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma pesquisadora da Universidade de Sussex, Reino Unido, descobriu uma nova maneira pela qual os gatos se comunicam com seus tutores. Karen McComb pesquisa a comunicação entre animais. Em geral, vai atrás dos bem grandões, como elefantes e leões africanos. Ela descobriu um “grito” por comida embutido em um ronronado de gatos domésticos.

Pepo, o gato que inspirou a pesquisadora Karen McComb, da Universidade de Sussex, a estudar a comunicação entre os animais (Imagem: Reprodução/Folha Online)

Karen e mais três colegas publicaram um artigo científico sobre o “ronronado da fome” em uma edição recente da revista científica Current Biology. “Meu próprio gato inspirou o estudo”, disse ela à revista. Pepo é o único gato da casa, e aparentemente o miado manipulador só acontece quando há apenas um animal pedindo atenção do tutor.

“Fiquei interessada nisso porque meu gato me acordava de manhã com ronronados insistentes. Eu ficava imaginando porque soava tão irritante e era tão difícil de ignorar”, afirma. Ao falar com outros donos de gato, ela descobriu que alguns deles tinham animais que mostravam um comportamento incrivelmente semelhante.

“Como eu sou uma acadêmica que na verdade trabalha com comunicação vocal e capacidades cognitivas em mamíferos, eu tinha o conhecimento, as ferramentas e os colaboradores para lidar com essa questão”, declara Karen.

Apesar de estudar bichos perigosos, como leões na savana africana, ela diz que trabalhar com o animal conhecido desde 1758 pelo nome científico Felis catus foi um dos seus maiores desafios. Gatos não costumam ser muito obedientes. “Um grande problema foi que eles só exibiam esse comportamento na privacidade com seus donos, e tipicamente em horários antissociais”, diz Karen. “Também tendem a ficar mudos ou a sair quando estranhos aparecem”.


Karen e mais três colegas publicaram um artigo científico sobre o "ronronado da fome" na revista científica Current Biology (Imagem: Reprodução/Folha de São Paulo)

Ela conseguiu gravar ronronados do seu pet, e outra autora do estudo, Anna Taylor, gravou o dela. “Nós escolhemos gatos cujos tutores nos disseram que usavam esse comportamento. Havia cinco machos e cinco fêmeas de idades bem variadas”, relata. Os tutores dos gatos foram ensinados a gravar os miados de seus bichos de estimação em momentos em que pediam comida e em outros em que simplesmente ronronavam pelo prazer de ronronar.

As gravações foram tocadas para várias pessoas. Mesmo quem não tinha gato considerava o “ronronado famélico” mais urgente e menos agradável.

Alta frequência

Ao estudar a estrutura do som, a equipe descobriu um elemento de alta frequência sonora embutido no ronronado, lembrando um grito ou um miado. Ao ressintetizar o som eliminando a alta frequência, os ronronados voltaram a soar agradáveis. “A inclusão deste elemento de alta frequência poderia servir como um meio sutil de exploração, aproveitando uma sensibilidade que humanos e outros mamíferos têm de dar dicas relevantes no contexto de cuidar da prole”, afirma Karen.

O ronronado pela manhã é mais aceitável do que um miado escancarado, “que faria o gato ser ejetado para fora do quarto”.

Mas, quando o gato tem concorrência de outros, ganha comida quem mia mais. Quem tem vários conhece bem o comportamento. “Se pedem comida às vezes? Não, sempre pedem! De manhã, umas 6h30 da matina, é o horário em que eles ficam loucos de fome”, diz Ana Carolina Angeli Polete, que, com seu marido, Cesar, se reveza na alimentação dos bichos, ela no turno da manhã. “Eu levanto religiosamente todos os dias para alimentá-los. Caso contrário, não durmo. Se me rebelo e não acordo, eles praticamente zoneiam a casa inteira”, diz Carolina.


Os gatos Kirk e Spock ajudaram seus donos, Libânia e Rubens Baptista Júnior, a interpretar seus vários tipos de miados (Libânia Paes/Arquivo Pessoal)

Uma das gatas, Picorrucha, “tem a capacidade de subir na pia, olhar pra nossa cara e miar brava porque quer comida”, conta. A pesquisadora explica: “Existem outras estratégias para pedir comida, incluindo miar. Os gatos vão optar por aquilo que funciona melhor”.

Lúcia Helena de Camargo e seu marido, Cezar, convivem com apenas um gato, Pablo. É um bom candidato ao “ronronado da fome”. “Ele não mia para pedir comida”, diz Lúcia.

A estratégia é outra. “Chego em casa, ele vem na porta, chega perto, se roça um pouco nas minhas pernas, depois deita no chão de barriga para cima, para eu acariciá-la. Fica nessa alguns minutos. Quando está com fome, levanta rapidamente e se encaminha para a praça de alimentação, parando em frente ao prato da ração de que gosta mais”. Rubens Baptista Júnior e sua mulher, Libânia, convivem com três gatos. “A convivência com eles me ensinou a interpretar seus diversos tipos de miado. Esse é diferente quando querem comida, carinho – basicamente escovação –, ou quando avistam um bichinho”, afirma Rubens.

Ele passou a reconhecer os miados pelo fato de trabalhar em casa; ela, funcionária de uma multinacional, nem tanto. “Enquanto eu passava o dia com os gatos, ela ficava fora o tempo todo. À semelhança da mãe que entende os vários choros do bebê, enquanto o marido não percebe nada, eu fazia o papel da mulher”, diz Rubens.

Faz sentido. Segundo os pesquisadores da Universidade de Sussex, o pico de frequência medido no estudo é comparável ao de um bebê humano saudável, entre 300 e 600 hertz.


Quem se importa com a vida dos javalis?

sábado, 17 de outubro de 2009


Por Rosana Vicente Gnipper, presidente Movimento SOS BICHO de Proteção Animal e diretora da Organização Não Governamental Ecoforça, Curitiba-PR
rosanagnipper@gmail.com


Javali, do árabe djabali que significa porco montanhês, é um mamífero da família Suidae, espécie Sus scrofa. É a mais conhecida e a principal das espécies de porcos selvagens. São animais de grandes dimensões. Os machos podem chegar a pesar até 250 kg e as fêmeas 130 kg. Medem entre 125 e 180 cm de comprimento e podem alcançar uma altura de 100 cm. O Javali é o antepassado do que conhecemos como porco doméstico (Sus domesticus ou Sus scrofa domesticus).

É nativo da Europa, Ásia e Norte da África. Foi trazido para a Argentina e Uruguai, entrando no Rio Grande do Sul e outros estados do Brasil com autorização dos órgãos ambientais para criação comercial.

É um animal onívoro (come de tudo) e passa grande parte do dia buscando alimento. Apesar de ter em sua dieta alguns pequenos animais e ovos de aves, dá preferência a raízes, frutos, castanhas e sementes.

Este animal não é territorialista, tendo comportamento bastante sociável reunindo-se em grupos matriarcais, geralmente compostos pelas fêmeas e suas crias.

Aqui no Brasil, a espécie não encontra predadores naturais (o lince e o lobo) e sua população tem aumentado bastante, até porque ele procria com a espécie nativa, o que deu origem ao popularmente conhecido "javaporco".

Estes animais têm sido considerados pragas, destruidores dos territórios onde se instalam, ameçadores da fauna local e de plantações, causadores de doenças à fauna nativa. São acusados de terem fugido por erros de manejo praticados pelos criadores comerciais. Estão tendo a vida ameaçada e a morte por caça decretada, autorizada pelos órgãos ambientais que, fundamentados por leis que permitem o abate a título de manejo ambiental, esqueceram-se de levar em conta todo o teor da lei, que também protege a vida dos animais.

As leis brasileiras que pretendem defender a fauna são especistas e antropocêntricas, ou seja, privilegiam uma espécie em detrimento de outras e contemplam, acima de tudo, o benefício da espécie humana quando se remetem à autorização de abates em situações nas quais a saúde humana, a agricultura e até mesmo todo o complexo meio ambiente podem estar em risco, pela "praga" disseminada.

No Paraná, o IAP - Instituto Ambiental do Paraná, órgão vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, decretou morte aos javalis no Parque Estadual de Vila Velha e seu entorno, região dos Campos Gerais, sem ter nenhum estudo conclusivo a respeito. Se tem algum estudo feito, não o apresentou, desconsiderando solicitação da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual. Fundamenta-se apenas em pareceres de duas técnicas (biólogas) e em um parecer do CONFAUNA - Conselho de Proteção à Fauna, que é um Conselho apenas de caráter consultivo.

Segundo a Portaria do IAP 098/2007, a captura e abate dos animais serão realizados tanto no interior do Parque quanto nas propriedades rurais do entorno. Armadilhas já foram construídas para as capturas e os próprios proprietários rurais é quem deverão, após cadastramento, apresentar os dados sobre os animais abatidos.

Além de tudo, conforme a referida Portaria, Art. 6º - "O produto do abate deverá, obrigatoriamente, permanecer dentro da propriedade" e "Os animais abatidos no interior da Unidade de Conservação devem ser impreterivelmente enterrados no local, sendo proibido o consumo do animal", porém fora da Unidade de Conservação "caso haja o interesse em consumo da carne pelo proprietário, o mesmo poderá fazê-lo, porém o IAP não se responsabiliza pela inspeção sanitária que identifique se a carne do animal é própria ou imprópria ao consumo. Neste caso, o consumo da carne é de próprio risco do proprietário."

É a caça ao javali instalada de forma imoral em nosso estado, legalizada com a justificativa de conservação da biodiversidade local, apoiada por ambientalistas conservacionistas, para os quais a vida de uns não vale nada perante a vida de outros. Visão especista, antropocêntrica e interesseira.

Quem se importa com a vida dos javalis? Nós nos importamos. E talvez nos importamos porque priorizamos a ética, além da técnica.

A cada indivíduo javali sua vida também importa; tanto que, na luta pela sobrevivência, adapta-se e segue com suas crias, sem ter noção de que não é desejado, considerado invasor dos territórios que nós, seres humanos, determinamos serem possíveis para que possam seguir seu destino. Seguem pela sobrevivência, sem ter idéia de que apenas sua morte é desejada, para que suas entranhas sirvam de engorda para seres humanos. Sem saber que não deram lucro para alguns e que, por isso, não têm o direito à vida.


Como proteger seu bichinho e sua família dos vermes?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009




A verminose é uma doença causada por vermes que acometem cães e gatos. Os vermes intestinais podem causar em seu animal de estimação sintomas como: vômitos, diarréia, dores abdominais e queda de pêlos. Em casos mais graves, com grande quantidade de vermes, podemos ter animais com anemia, pois alguns destes vermes intestinais são sugadores de sangue e competem com o alimento que deveria ser destinado aos cães e gatos. Os filhotes são os mais prejudicados pela ação destes vermes e podem morrer, já que são muito pequeninos e seu sistema de defesa ainda não está totalmente formado.

"Além disso, o que pouca gente sabe é que existe também um outro tipo de verme, aquele que se aloja no coração. Para se ter uma idéia, cerca de 8% dos animais no Brasil são positivos para esta verminose, chamada dirofilariose, que causa o enfraquecimento do coração, podendo levar o animal à morte caso não seja descoberto e tratado", explica a veterinária Eliane Estephan, gerente da Novartis Saúde Animal.

Estes mesmos vermes podem também chegar ao ser humano, causando as conhecidas zoonoses, doenças que são transmitidas dos animais para o ser humano. Quem não conhece o bicho geográfico e o desconforto que ele causa na nossa pele? O bicho geográfico, na realidade, é o mesmo verme encontrado em cães. Por isso, é preciso manter os cães e gatos vermifugados regularmente (de quatro em quatro meses) ou seguindo critério veterinário. Com esse cuidado, os animais estarão protegidos, assim como a sua família.

Vermifugação é um tratamento realizado em cães e gatos com o objetivo de exterminar vermes. Nesse tratamento, são aplicadas medicações - vermífugos - que eliminam o problema e permitem uma vida mais saudável para os animais. "A indicação do médico veterinário é muito importante para o melhor tratamento, dependendo da fase de vida do cão e do gato", finaliza.

Por Thaís Bronzo

Fonte: Ana Maria Braga - Mais Pet

Ensaio Sobre a Cegueira

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."
Citado no "Livro dos
conselhos",
de El-Rei Dom Duarte.


A maioria já deve ter lido ou ao menos ouvido falar do livro "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago; vamos apenas pincelar o livro que narra como de repente uma cegueira branca vai se espalhando, contaminando e tomando conta das pessoas; a princípio parece ser incurável e aos poucos toda a humanidade vai ficando cega, reduzida a seres meramente instintivos. Em meio a tanto terror, apenas uma pessoa não perde a visão e é ela, sozinha, que os guia dentro dessa cegueira branca, dentro desse mundo desconhecido e assustador. O filme retrata como o ser humano é capaz de perder anos de civilização ao ser privado de um de seus sentidos. É possível compreender no livro a necessidade dos "cegos", em confiarem naquele único ser que enxerga, de modo a poderem se humanizar e se socializar novamente, pois o governo os envia a um sanatório e, quanto mais pessoas chegam, mais deplorável fica o lugar. Começam a surgir disputas pela comida e pelo domínio do sanatório, situações constrangedoras fazem com que os personagens comecem a se questionar sobre sua dignidade, seu auto-respeito e seu orgulho.

Por trás do livro podemos notar que Saramago não trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, e sabemos que todo esse orgulho e dignidade são deixados de lado quando o animal humano é posto diante do animal não humano. Em confronto com um ser que ele julga inferior, o animal humano esquece que é civilizado e se bestializa de tal forma que perde sua verdadeira identidade, seu orgulho e seu auto respeito, descendo a níveis que os animais não humanos não conseguem alcançar, a própria "miséria moral". Foi há muitos anos atrás que essa cegueira branca teve início, ao matar no animal humano todo seu senso de moral, compaixão é ética pelos animais não humanos. A ética social, tal como no livro, desmoronou desde então. O animal humano cego pelo orgulho e pela vaidade separou-se da natureza, espezinhou-a e aos seus outros filhos, os animais, com a mesma crueldade com que trata tudo aquilo que lhe é diferente. Nessa sua cegueira, a humanidade é capaz de ignorar o fato de que há uma igualdade senciente entre nós e os animais, é capaz de se manter cega diante de tanto sofrimento, ensaiando o dia em que consiga obter a coragem de enfrentar seus medos em resistir à cegueira a qual a condicionaram.


"O medo cega, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o
medo nos fará continuar cegos.[...] Quantos cegos serão preciso para fazer uma
cegueira, Ninguém soube responder." (J. Saramago)

Quanto ainda será preciso mostrar, demonstrar, expor, falar ou escrever sobre o sofrimento animal, antes que os "cegos da ética" notem que estão errados, que estão com medo e que esse medo os cega. Quanto ainda teremos que pedir para que abram seus olhos, pois somente assim essa cegueira se dissipará e a ética voltará a se fazer parte da sociedade? Esse cegos contemporâneos são cegos do coração e da alma, são cegos da moral e da ética, guiam outros cegos e conhecemos a velha frase que nos diz: "Cegos guiando cegos,ambos cairão no abismo". Já estamos caindo no "abismo" a cada dia que passa, por todo o desrespeito que as pessoas mostram em relação aos animais; é a humanidade quem polui o seu próprio ar, que contamina sua própria água, que apodrece sua própria terra, que desrespeita a eles, os animais não humanos e em igualdade, a si mesma, mas a maioria ainda deseja se manter cega diante disso. Essa cegueira não os deixa ver aonde pisam nem em quem pisam, não os deixa livres para escolherem qual caminho tomar, qual posição escolher.São cegos que temem enxergar, porque fazem tantas coisas ruins aos animais que se envergonham, e se fecham cada vez mais dentro de uma cegueira manipulada e cruel.

"Por que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres
que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos,
cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem" (J. Saramago)

Essa á a grande parcela da humanidade hoje diante da exploração animal, cegos que vendo, ainda assim fingem não ver, que diante da repulsa que a visão do sofrimento animal acarreta, com uma insensibilidade fora do normal, conseguem ignorar o que lhes mostrado, que hibernam em seus costumes e tradições bárbaras com medo de enxergar a verdade de seus atos cruéis.

"Por que cegamos?"

Porque passamos a nos achar seres privilegiados, seres mais fortes, mais poderosos e, no entanto, nos tornamos seres mais cruéis, mais frios, mais irracionais. Não somos cegos, estamos cegos diante daquilo que não desejamos ver, a agonia animal que praticamos todos os dias.

Assim como os personagens de Saramago perderam o senso de civilidade, hoje, os cegos contemporâneos, perderam o senso de civilidade junto a natureza, junto aos animais, tornaram-se egoístas ao fazerem da Terra, um Planeta para uso exclusivo de animais humanos.Não dividem, não doam, ao contrário, tomam a força, ameaçam, humilham, matam, violam e desmoralizam qualquer ser que se oponha a essa cegueira.

Saramago diz que deseja que seu leitor sofra ao ler o livro, tanto quanto ele sofreu as escrevê-lo. E hoje nós sofremos por essa cegueira que perdura há séculos, séculos de tortura, de morte e muito sangue. Tal como o livro, a vida dos animais tem sido um capítulo brutal e violento, repleto de experiências dolorosas e aflições sem fim.

"Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que
tenhamos coragem para reconhecer isso." (J. Saramago)


O que nos falta para reconhecermos isso, então? O que nos falta para enxergarmos que, o que fazemos com os animais se opõe a qualquer ética que tentemos criar para nos proteger uns dos outros? Que falta para as pessoas abrirem os olhos e enxergarem que os gritos de agonia só irão cessar quando elas mudarem? Não somos cegos, repito, estamos cegos, e ser cego é uma opção.

A cura para essa cegueira nada mais é do que a aceitação verdade, e a verdade é que realmente não somos bons que, embora o veganismo nos guie para a moralização ética, nós nos afastamos desse guia por medo de descobrirmos que não somos aquilo que pensamos que éramos: seres bondosos e racionais. Temos medo, tanto quanto os cegos de Saramago, de caminharmos por esse mundo desconhecido e assustador que é o respeito aos animais não humanos, não estamos acostumados a respeitá-los, somos orgulhosos demais, porém a cegueira nos tem feito viver num mundo igualmente deplorável ao sanatório onde os cegos de Saramago viviam, fingimos não ver, mas sentimos o cheiro da morte e da nossa sujeira. Quando será que a humanidade se desvencilhará dessa cegueira para alcançar a sua lucidez, pois qualquer pessoa que saiba sobre o sofrimento animal e nada faça a esse respeito, está cego e perdeu parte de sua sanidade. Seria irracional nos colocarmos como seres racionais diante da visão do abate de um animal, diante da vivissecção, diante das touradas, bem mais fácil realmente seria essa posição ocupada pela grande massa, a de seres cegos e insensíveis a dor, não há como explicar de outro modo como alguém que tendo conhecimento sobre o que acontece com os animais, não mude, nem tente mudar.

É preciso que nos se humanizemos e nos socializemos novamente com a natureza, com os animais, com o mundo no qual vivemos, precisamos ter coragem para abandonarmos a cegueira de anos e anos de exploração animal, por uma conduta mais digna, pois o ser humano que usa de sua força contra um ser qualquer, não é digno, nem possui qualquer valor moral e os animais humanos necessitam, urgentemente, se moralizarem perante a natureza e sobretudo, diante dos animais não humanos.

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."1

Se podes enxergar e reparar, então que esperas para mudar?

Referências Bibliográficas


SARAMAGO, José - Ensaio sobre a cegueira.

Nota

1 Metáfora sobre aqueles que tendo visão, se recusam a ver, pois é bem mais fácil ignorar as coisas que fazemos de mal aos outros seres do que passarmos a nos enxergar como verdugos cruéis.

Autor : Simone Nardi